Oportunidade de se antecipar
Quem investir em ouvidoria sairá na frente na futura retomada da economia
2 Julho 2019  |  11:31h
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Maria Inês Fornazaro
Autora: Maria Inês Fornazaro

Quando o Brasil sair da crise - sim, isso acontecerá no futuro próximo ou não - o consumidor terá uma demanda reprimida muito grande, tanto por produtos quanto por serviços. Afinal, até agora, são quase cinco anos de cinto apertado à força, pois as raras vagas de trabalho são informais e pagam pouco.

É fundamental, portanto, que as empresas privadas reforcem sua estrutura de ouvidoria, ou que tratem de cria-la se ainda não o fizeram. Haverá, sim, aumento das manifestações à ouvidoria, ou ao SAC, se não houver esta segunda instância para críticas e reclamações.

Crises são excelentes períodos para arrumar a casa, investir em qualidade e melhorar práticas comerciais. Fazer isso com demanda elevada e crescente é bem mais complicado, uma vez que todos os esforços se voltam para ampliar a oferta de produtos e serviços.

Sua companhia tem ouvidoria? Ela está preparada para atender o consumidor? O que falta em termos de infraestrutura de pessoal e tecnológica para que a ouvidoria funcione bem?

Responder a essas perguntas com sinceridade será um excelente começo para qualificar, ainda mais, este canal de comunicação. Até porque falta renda, falta emprego, mas o cidadão continua atento às inovações tecnológicas, principalmente devido ao advento das startups, que modificaram nossa forma de usar o transporte, de comprar comida, nos hospedar, viajar e nos divertir.

E lembre-se, a ouvidoria é uma boa oportunidade para aproveitar as sugestões e aperfeiçoar a gestão. 

Esse consumidor será ainda mais exigente, quando recuperar seu poder de compra. Valorizará ainda mais o nível do atendimento, o respeito ao Código de Defesa do Consumidor e a agilidade e confiabilidade das respostas à suas dúvidas e insatisfações.

Crise não é um período de hibernação, no qual esperamos o retorno da primavera para sair às compras. Deveria ser uma fase de ajustes, de preparação para a decolagem da economia. Que, acredito sinceramente, ocorrerá nos próximos meses, passado o período mais conturbado de reformas.

Quem perceber esta oportunidade de melhorar sua ouvidoria - ou de passar a oferecê-la a seus clientes, empregados e fornecedores - sairá na frente quando o Brasil voltar a crescer. 

Maria Inês Fornazaro é presidente da Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman (ABO Nacional).
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