Brasil retrai consumo fora do lar
Apesar disso, brasileiro não abre mão da comodidade e transfere cardápios de fast food para dentro de casa
19 Novembro 2019  |  14:28h
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Giovanna Fischer
O consumo fora de casa de comida e bebidas não alcoólicas está crescendo no mundo todo, fortemente influenciado pela busca pela comodidade à mesa e pelo movimento batizado de food tech, que são as facilidades e mudanças que a tecnologia implementa nos serviços de pedidos e delivery e que têm alterado o comportamento de compra. Globalmente, o consumo Out of Home (OOH) representa 58,5% dos gastos com alimentos e bebidas alcoólicas e não alcoólicas e, segundo o estudo ´Winning food & drink occasions Out-of-Home´, da Kantar, o aumento deste índice é regra mundial. Mas, há apenas uma exceção: o Brasil.

Em nove dos 10 mercados analisados - China, Brasil, França, Indonésia, México, Portugal, Espanha, Tailândia, Reino Unido e Vietnã - as pessoas estão, em menor ou maior medida, deixando de cozinhar em casa para fazer refeições compradas na rua ou pedidas pela tela do celular. Os pedidos fora de casa avançaram 6,7% em Portugal, 5% na Indonésia e 4,6% no Reino Unido, sendo que este último registrou 40% de crescimento das plataformas de delivery. Aqui no Brasil observa-se o contrário. Apesar de o consumo OOH ainda representar 52% dos gastos com alimentos e bebidas, de 2017 para 2018 este índice caiu 3,4%. No entanto, o gasto em cada compra aumentou 2,8%.

O momento atual do País caracterizado por crise econômica, instabilidade política, aumento de desemprego e endividamento são algumas das razões para os números. Mas nem por isso o brasileiro está atrás nas tendências de comportamento e de uso da tecnologia. A busca por comodidade e praticidade à mesa também tem sido regra para os consumidores nacionais. Se fica difícil equilibrar o orçamento indo a restaurantes e pedindo delivery toda semana, a solução é trazer esse cardápio para dentro de casa. Um exemplo desse comportamento é o aumento do consumo de categorias indulgentes no lar, como as geralmente pedidas em fast food. O hambúrguer ganhou in home 11% em volume de compra e 13% em valor no período entre 2018 e 2019, especialmente na classe DE e com donas de casa mais jovens, de até 34 anos. Para acompanhar, os brasileiros estão desembolsando 24% mais em batata congelada, especialmente nos lares AB e com donas de casa entre 50 e 64 anos. A linguiça registrou resultado positivo de 3% em volume e 11% em valor, principalmente no Norte e Nordeste. Em contrapartida, estes mesmos itens perderam prioridade fora de casa. O hambúrguer caiu 1% em volume, a batata congelada retraiu 12% e as refeições despencaram 13% no mesmo período.

Mas se tem um item do qual, mesmo na crise, o brasileiro não abriu mão durante as refeições na rua é o refrigerante. A categoria é a segunda mais promissora entre as bebidas OOH, e perde, claro, apenas para o café. Os refrigerantes avançaram globalmente 4,7% em consumo fora do lar entre 2017 e 2018, segundo a Kantar, e isso se deve principalmente a dois mercados: Brasil e México. Por aqui, o hábito de acompanhar a refeição ou o lanche com um refrigerante segue forte e os gastos nestas ocasiões aumentaram 11%, especialmente nos restaurantes (72%), já que em 84,8% das ocasiões a bebida é compartilhada. "Apesar de estarem consumindo menos fora de casa, os brasileiros fazem escolhas em busca de indulgência", analisa Giovanna Fischer, diretora de marketing e insights da Kantar.
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